terça-feira, 20 de novembro de 2012

A influência africana na cultura brasileira

A História do Brasil finalmente incluiu a história de nossas negras raízes no currículo escolar. Sem deixar para trás, claro, a origem portuguesa e a indígena, o conteúdo tem de abordar a vinda involuntária dos africanos. Isso por que, em 2003, o que já deveria ser um direito virou lei. A obrigatoriedade do tema "História e Cultura Afro-brasileira e Africana" existe desde que foi aprovada a lei 10.639. A partir da sanção dessa lei, as instituições de ensino brasileiras passaram a ter de implementar o ensino da cultura africana, da luta do povo negro no país e de toda a história afro-brasileira nas áreas social, econômica e política. O conteúdo deve ser ministrado nas aulas de história e, claro, em todo o currículo escolar, como nas disciplinas de artes plásticas, literatura e música. E isso em TODAS as escolas de Ensino Fundamental e Médio das redes pública e privada.

Para se adequar à lei, cabe às escolas encontrar um modo de redesenhar as aulas para encaixar os conteúdos exigidos. A coordenadora do Ensino Fundamental do Colégio Friburgo, em São Paulo, Eni Spimpolo, conta que os resultados vão além do simples aprendizado da matéria. "Mostrando que a mistura do povo brasileiro foi feita por vários povos através dos tempos, conseguimos comparar diversas culturas, valorizá-las, promover o respeito a elas e derrubar preconceitos", conta.

A influência africana na cultura brasileira é maciça e, às vezes, nem nos damos conta de como ela está presente. Só para citar alguns exemplos, muitas palavras do nosso vocabulário têm origens afro: batuque, papear, quitanda, quitute, sapeca, sunga, tagarela, tamanco, xingamento, caçula, cachimbo, cafuné, bunda e fofoca. Assim também ocorre na culinária: canjica, pamonha, quindim, cuscuz, farofa, feijoada e tutu. A religiosidade não é diferente. A devoção a determinados santos tem uma certa influência negra, como a São Benedito, Nossa Senhora do Rosário, São Cosme e Damião, Nossa Senhora Aparecida, Santa Ifigênia e Santo Elesbão, sem esquecer da prática espiritual do Candomblé e da Umbanda. A música não escapou da presença africana. Instrumentos de percussão como o  pandeiro, berimbau e atabaque, assim como a cuíca e o agogô são herdados da cultura afro.

Como se vê, portanto, a história desse povo precisa ser contada para que a valorização da cultura afro-brasileira seja disseminada. “Não tem como achar que existem brasileiros sem nenhuma influência da cultura negra. Para que isso fique claro, é necessário falar do negro nas escolas, para além do mês de novembro [mês do Dia da Consciência Negra]”, afirma Dilma de Melo Silva, professora associada da Escola de Comunicações e Artes da USP e pesquisadora-fundadora do Núcleo de Apoio à Pesquisa em Estudos Interdisciplinares sobre o Negro Brasileiro (NEIMB) da USP.

http://educarparacrescer.abril.com.br/comportamento/testes/a-cultura-negra-faz-parte-de-suas-raizes.shtml (Nesse site faça o teste e descubra o quanto a cultura negra está presente em seu cotidiano)

Para complementar esse estudo, não deixe de ler os artigos "O material didático em questão: abordagens da pluralidade cultural" e "África: o berço de uma humanidade desumana". Basta clicar nos títulos dos posts para abrir o link.  

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