sábado, 1 de maio de 2010

As condições de trabalho ao longo da História

AS CONDIÇÕES DE TRABALHO AO LONGO DA HISTÓRIA
adaptação de um trabalho de graduação de Josimar Tais
20/10/2009
As formas de trabalho variam conforme o momento histórico. As sociedades primitivas, por exemplo, baseavam seu trabalho na coleta, na caça, na pesca e, geralmente, as atividades eram dividas por gênero. Depois se passou para uma sociedade artesanal, e na Idade Média encontramos o sistema feudal como predominante, onde o trabalho fundamentava-se no cultivo da terra. Mas o principal marco na história do trabalho certamente é a Revolução Industrial. Foi ela que transformou a sociedade rural e agrícola do mundo ocidental em uma sociedade basicamente urbana e industrial.
A Revolução Industrial provocou grandes transformações no mundo: a economia transformou-se, pois a atividade industrial passou a ocupar o centro da vida econômica; formaram-se grandes empresas industriais e o trabalho assalariado passou a predominar em toda parte; em outras palavras, impôs-se o capitalismo industrial. A sociedade foi profundamente afetada pelo êxodo rural e pelo crescimento da vida urbana; começaram a formar-se as cidades industriais; ocorreu também um aumento da população mundial; a burguesia industrial se fortaleceu, e começou a ganhar cada vez mais destaque a classe operária. Na política, houve a queda do Estado Absolutista, disputa entre países europeus pelo domínio das colônias na África e na Ásia com o objetivo de obter matérias-primas para a indústria e consumidores para os produtos manufaturados; começaram a aparecer ideias políticas, sociais e econômicas tentando explicar a nova situação e solucionar os novos problemas.
A Revolução Industrial enriqueceu muitos capitalistas, mas a grande maioria dos operários vivia em péssimas condições.
AS CONDIÇÕES DE TRABALHO NA ÉPOCA DA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL

A industrialização trouxe muitos benefícios materiais, mas gerou também um grande número de problemas que ainda afligem o mundo moderno, como os danos ao meio ambiente. Além disso, a modernização tecnológica tornou obsoletas diversas formas de trabalho, gerando um desemprego crescente. Segundo o historiador Mario Schmidt, “antes da Revolução Industrial, menos de 10% da população europeia vivia nas cidades" (2005, p. 112). Isso era ainda um reflexo do feudalismo, pois havia poucas indústrias em toda a Europa Ocidental e a maioria dos produtos manufaturados era feita em casas situadas nas zonas rurais. Comerciantes da burguesia distribuíam as matérias-primas aos trabalhadores e recolhiam os produtos acabados. Os burgueses eram donos das matérias-primas, pagavam pelo trabalho realizado e procuravam mercado para seus produtos. O modo de vida variava pouco de uma geração para outra, e a maioria dos filhos seguia o ofício dos pais. Os trabalhadores e lavradores não tinham voz ativa no governo. Em muitos países, não havia nem mesmo eleições.
A situação nas pequenas e novas indústrias que surgiam não era fácil para os operários. Conforme Schmidt relata, “os salários eram baixíssimos, a jornada de trabalho podia alcançar 14 ou 16 horas por dia e não havia direito a férias. As fábricas eram imundas e barulhentas. Os patrões, muito autoritários, humilhavam os empregados” (op. cit.).
Com todas essas condições precárias, é evidente que a consequência seria a pobreza. Grandes cidades, como Londres e Paris, encheram-se de favelas e cortiços. O mesmo autor citado ainda diz que “os pobres se amontoavam em bairros onde o esgoto e os ratos disputavam as ruas com os pedestres” (op. cit.). A máquina a vapor dispensava a força física. Por causa disso os patrões preferiam o trabalho das mulheres e, principalmente, das crianças, que recebiam pagamento menor pelo mesmo serviço de um homem adulto. Quase todas as fábricas do começo do século XX empregavam crianças. Enquanto isso, os burgueses continuavam enriquecendo.
Os trabalhadores logo perceberam a necessidade de se unir e lutar por seus direitos. Assim, o começo da Revolução Industrial representou também o início das lutas operárias. Por meio dessas lutas, os operários formavam a consciência de que pertenciam a uma mesma classe social: o proletariado.

O LUDISMO, O CARTISMO E OS SINDICATOS

O ludismo foi uma das primeiras formas de luta dos trabalhadores. Eles formavam grupos que invadiam as fábricas e destruíam as máquinas. Para os artesãos, o ludismo era uma maneira de preservar seu trabalho contra a concorrência da indústria moderna. Para os camponeses, era um recurso para salvar seu emprego contra as máquinas que substituíam o trabalho humano. Para os operários, constituía uma forma de pressionar o patrão a aumentar os salários.
O movimento ludita conseguiu algumas vitórias. Por exemplo, muitos patrões acabavam desistindo de reduzir os salários com medo de uma rebelião operária que destruiria a fábrica. O governo inglês criou leis rigorosas contra as revoltas luditas e enviou milhares de soldados para defender as propriedades dos burgueses.
Ao longo do século XIX, surgiram outras organizações operárias. Como nos conta Mario Schmidt,
Certos grupos de trabalhadores formavam associações de ajuda mútua. Pagavam pequenas mensalidades e, quando um deles ficava doente, recebia auxílio da associação. Aos poucos, os trabalhadores sentiram a força de sua organização. As associações de ajuda mútua se tornaram sindicatos (op. cit.).
Os sindicatos da época, semelhantes aos de hoje, procuravam atrair outros trabalhadores e organizar as lutas econômicas contra a burguesia e a mais influente forma de luta era a greve. “A maioria dos trabalhadores de fábrica cruzava os braços e se recusava a trabalhar enquanto os patrões não atendessem às suas reivindicações” (op. cit.). As principais exigências dos trabalhadores eram aumento de salário, diminuição da jornada de trabalho e a proibição do trabalho infantil.
Os governos europeus do século XIX em geral ficavam do lado dos capitalistas contra o proletariado. As leis, os tribunais e a polícia eram acionados contra os sindicatos e as greves. Muitos trabalhadores foram presos e até mortos pela polícia.
A partir de 1830 formou-se na Inglaterra o movimento cartista. O cartismo juntava operários, artesãos e até gente da pequena burguesia. Os cartistas redigiram um documento chamado Carta do Povo e o enviaram ao Parlamento inglês. A principal reivindicação do documento era o sufrágio universal masculino.
O cartismo organizou gigantescos comícios em Londres. Mas o Parlamento permaneceu insensível. Somente em 1867, os operários especializados e a pequena burguesia conquistariam o direito de voto. Apesar disso, o cartismo foi importante para que o proletariado inglês adquirisse consciência política.

AS CONDIÇÕES DE TRABALHO DA ATUALIDADE

Hoje, todos os funcionários de qualquer fábrica que seja, bem como qualquer trabalhador de outro setor, desfrutam de benefícios e leis trabalhistas que definem os direitos e deveres dos empregados. Existem os sindicatos que ainda defendem a classe dos trabalhadores, e mais do que isto, existe uma legislação específica em que, conforme consta na CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), são alguns direitos dos trabalhadores:
Carteira de trabalho assinada desde o primeiro dia de serviço; Exames médicos de admissão e demissão; Repouso Semanal Remunerado (1 folga por semana); Salário pago até o 5º dia útil do mês; Primeira parcela do 13º salário paga até 30 de novembro. Segunda parcela até 20 de dezembro; Férias de 30 dias com acréscimos de 1/3 do salário; Vale-Transporte com desconto máximo de 6% do salário; Licença Maternidade de 120 dias, com garantia de emprego até 5 meses depois do parto; Licença Paternidade de 5 dias corridos; FGTS: depósito de 8% do salário em conta bancária a favor do empregado; Garantia de 12 meses em casos de acidente; Adicional noturno de 20% para quem trabalha de 22:00 às 05:00 horas; Faltas ao trabalho nos casos de casamento (3 dias), doação de sangue (1 dia/ano), alistamento eleitoral (2 dias), morte de parente próximo (2 dias), testemunho na Justiça do Trabalho (no dia), doença comprovada por atestado médico; Aviso prévio de 30 dias, em caso de demissão; Seguro-Desemprego (Os direitos do trabalhador, 2009).
É bom ressaltar que estes são alguns dos direitos válidos no Brasil e que as leis trabalhistas podem variar conforme cada país. Outro aspecto a ser destacado é que existem muitas empresas que atuam de maneira clandestina ou até mesmo que sonegam impostos, prejudicando assim a situação dos trabalhadores. Além do mais, em pleno século XXI ainda existem trabalhadores escravos no mundo todo, isto é o que afirmam os dados da Organização Internacional do Trabalho. Segundo a pesquisa, “pelo menos 12,3 milhões de pessoas estão submetidas ao trabalho forçado em todo o mundo, e quase a metade é de meninos e meninas, [...] disse a Organização Internacional do Trabalho" (apud. SURI, 2009).
Portanto, mesmo com todos esses direitos garantidos e conquistados através de muita luta por parte dos trabalhadores, podemos perceber que a situação de alguns trabalhadores não evoluiu, alguns ainda são tratados com desigualdade, de forma humilhante e desumana, não recebendo nenhum direito garantido por Lei. Muitas vezes, quem se rende a essa forma de trabalho (escravo) são pessoas leigas, de classe baixa, sendo esta forma sua única opção de renda.

REFERÊNCIAS

Os direitos do trabalhador. Disponível em: < http://www.rhportal.com.br/artigos/wmview.php?idc_cad=uzbnuh2kf>. Acesso em 20 out 2009.

SCHMIDT, Mario. Nova História Crítica. 7ª série. 2 ed. São Paulo: Nova Geração, 2005.

SURI, Sanjay. Trabalho: Mais de 12 milhões de escravos no mundo. Disponível em: < http://www.mwglobal.org/ipsbrasil.net/nota.php?idnews=582>. Acesso em 20 out 2009.

Professor Josimar

10 comentários:

Prof. Adinalzir disse...

Meus parabéns! O texto é uma verdadeira aula de História para todos os nossos alunos e também a todos os trabalhadores.

Um grande abraço!

Anônimo disse...

obrigada!!!!!!estava mesmo a precisar de um texto destes!!!

regiane disse...

achei esse texto muito bom,era exatamente o que estava precisando,para trabalhos de escola ,muito obrigada.

Anônimo disse...

esse texto foi muito útil pra mim construir minhas pesquisar e ajudar os jovens e adolescentes a compreenderem mais a historia, essa matéria tão fascinante. muito obrigada ajudou muito :)

Anônimo disse...

O texto é excelente, da fácil compreensão e ótimo para trabalhos escolares.Parabéns!

Anônimo disse...

muito obrigado tenhu um trabalho valendo 9,0 e tirei 9,0 pela sua ajuda vlws msm aiii !!!!

Kessia Araujo disse...

Posso usar com meus alunos??

Remexendo o Passado disse...

Obrigado pelos comentários. Que bom que o texto vem os auxiliando, esse é o objetivo. Fiquem à vontade para utilizar o que estiver disponível aqui. Abraço.

Anônimo disse...

ainda bem q os serviços,e os beneficios mudaram :p

Anônimo disse...

Esse texto mi ajudo mto obg ae...