domingo, 29 de março de 2015

Por que os católicos não comem carne vermelha na Quaresma?



Todos os anos, na época da Quaresma, muitos católicos se abstêm de comer carne vermelha em determinados dias e a substituem por peixe, o que faz com que o comércio de pescados cresça em torno de 30 a 70% no período. Mas não, deixar de comer carne vermelha nos dias que antecedem a Páscoa não é um mandamento bíblico. Esta tradição tem mais a ver com a questão socioeconômica da população dos primórdios do Cristianismo do que com a religião propriamente dita. Então, como foi que surgiu esta tradição que as nonnas católicas levam tão sério?

Primeiramente, cabe ressaltar que o jejum é um exercício de fé e de sacrifício carnal presente em muitas religiões como no Judaísmo, no Islamismo e, claro, no Cristianismo. O livro sagrado dos cristãos contém passagens que sugerem esta prática. Há, inclusive, o relato do jejum de 40 dias de Cristo no deserto (Lc 4.1,2). Não há, porém, no Novo Testamento, a especificação do que os fieis devem abster-se.

Um fato curioso é que até meados do século IV da Era Cristã, a preparação pascal era de apenas 3 dias. Considerando esta quantidade insuficiente para a preparação espiritual, a própria Igreja instituiu o período da Quaresma (a primeira menção aos 40 dias ocorreu no Concílio Ecumênico de Niceia (325), muito provavelmente em referência àquele jejum de Cristo). 

O fato de não consumir carne vermelha com frequência já fazia parte da rotina de judeus e cristãos pobres da época, não somente no período que antecedia a Páscoa, mas em todo o decorrer do ano. Esta condição está relacionada às características geoeconômicas do berço do Cristianismo. Por tratar-se de uma região árida com aspectos de deserto, a pecuária era uma atividade inviável. Em contraposição, o Oriente Médio é avizinhado por muitos mares, fator impulsionador da prática da pesca. 

Na Idade Média – período em que a Igreja Católica concentrou um intenso poder político e econômico, além do religioso –, a carne era um alimento de luxo para servos e camponeses, sendo bem mais comum nos banquetes dos senhores e nas residências dos nobres. Ela tornou-se, então, símbolo da gula, associado ao pecado. Em contrapartida, o peixe era barato e abundante, por isso comum nas refeições dos mais humildes. Outro ponto a ser observado é que a carne vermelha faz alusão ao sangue derramado por Cristo. Dessa forma, a Igreja orientava os fieis a comerem carne à vontade antes da Quaresma e depois se absterem. Alguns pesquisadores enxergam aí a origem da palavra “carnaval” (do latim: carnem levare, que significa "retirar ou ficar livre da carne").

Foi no século IX que o Papa Nicolau I instituiu como lei aquilo que era apenas costume e, então, a penitência passou a ser obrigatória para todos os cristãos. O Código de Direito Canônico, de 1983, institui no cânon 1251 o seguinte: “Observe-se a abstinência de carne ou de outro alimento [...], em todas as sextas-feiras do ano [...]; observem-se a abstinência e o jejum na quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira da Paixão...”. Atualmente, o fiel católico brasileiro pode substituir a abstinência de carne por uma obra de caridade, um ato de piedade ou ainda trocar a carne por outro alimento.

E assim é que a tradição foi seguindo gerações até chegar aos nossos dias. Para os católicos, jejuar e abster-se de carne é o 4º dos 5 Mandamentos da Igreja. Muitos seguem esta orientação porque, fazendo a penitência, acreditam estarem mais próximos do significado pascal, abnegando-se dos desejos humanos para consentir-se ao sacrifício de Cristo. Outros, no entanto, acabam somente caindo no costume. Por um motivo ou por outro, é válido variar o cardápio de vez em quando e, nesse caso, o comércio de pescados agradece. 

Professor Josimar



quarta-feira, 18 de março de 2015

Quebra-cabeça das placas tectônicas

Como um verdadeiro quebra-cabeça, a litosfera (também chamada de crosta terrestre - camada rochosa que envolve a Terra), é constituída por vários fragmentos, os quais denominamos “placas tectônicas”. Estas placas estão em constante movimento ocasionado pelo dinamismo interno das demais camadas do planeta. Na superfície, os efeitos dos movimentos internos resultam em vulcanismo, abalos sísmicos, falhas e dobramentos.

Após algumas aulas expositivas, leitura e vídeos sobre o tema, buscou-se compreender de forma lúdica a estrutura litosférica da Terra, as dimensões de cada placa e a distribuição dos continentes e oceanos sobre elas. Dessa maneira, os alunos do 8º ano 1, orientados pelos professores  Josimar (Geografia) e Cíntia (segunda professora), criaram o seu próprio quebra-cabeça das placas tectônicas e puderam aprender mais, brincando. 

Fonte: http://www.eebds.com.br/#!geografia/c2ob 


Veja também:
http://professor-josimar.blogspot.com.br/2010/12/o-que-sao-placas-tectonicas.html 

sábado, 14 de março de 2015

Pátria Amada, amanhã verás quais filhos teus não fogem à luta!

Amanhã uma multidão irá às ruas de suas cidades para protestar. Mas qual é a causa da indignação dessa gente brasileira? A corrupção. Todo e qualquer outro motivo de protesto vai encontrar seu entrelaçamento com esta prática que vem escarnecendo a nossa política. 

Corrupção que enriqueceu partidos, governantes e empreiteiras. Corrupção que aflige o povo, pois as políticas públicas não chegam ou são de má qualidade. E é assim, como um câncer galopante, que a corrupção agrava a economia de um gigante adoecido. 

E é por isso que o povo brasileiro vai às ruas amanhã. Gesto legitimamente democrático. Aliás, a presidente fez isso tantas vezes num período que nem era permitido. Sim, ela fez, mas não com cartazes, não com apitos, não com clamores e nem com panelas, mas com a brutalidade da guerrilha, com voraz violência. Nesta semana, contudo, Dilma se manifestou, disse que é "de uma época em que não era possível se manifestar. As pessoas que se manifestavam iam diretamente para a cadeia ou eram chamadas de subversivas, ou de nomes piores. Eu passei a minha vida manifestando nas ruas, principalmente na minha juventude. Eu acredito que uma das maiores conquistas do nosso País foi a democracia. Assim sendo, não tenho o menor interesse, o menor intuito, nem tampouco o menor compromisso com qualquer processo de restrição à livre manifestação neste País".

Visto que a própria presidente não restringe os atos, por que os alinhados ao seu governo tanto combatem os que querem, por todo e justo direito, se manifestar? Por que acusam estes de serem golpistas se quem sofreu um golpe foram os que se deixaram enganar por uma campanha eleitoral selvagem e que agora lhes é descortinado o Brasil real? Por que chamam de golpistas os que querem um país decente e um governo competente? Por que rotulam de golpe o desejo por mudanças que beneficiarão a todos? 

Hoje, o que se organiza são protestos pacíficos em prol de um país melhor. Exige-se respeito dos governantes para com o dinheiro e os serviços públicos. Alguns governistas tomaram a dor para si, mas é importante dizer que esta não é uma luta contra um partido. Não é uma luta contra uma mulher. A luta é a favor de uma Nação que está sendo roubada, desprezada e diminuída. 

É preciso defender esta Nação vítima do banditismo institucionalizado. Não pode haver filhos desertores na luta a favor da Pátria Mãe. A conjuntura política, econômica e social afeta a todos, independentemente de filiação partidária ou alinhamento ideológico. No entanto, nossa Pátria tão gentil dá a cada um o seu direito: o de se manifestar a seu favor ou o de se omitir. 

Não é hora de inventar culpados e nem de arranjar desculpas. O problema existe e necessita de uma solução urgente. É, portanto, pelo fim da corrupção, é por uma reforma política, é por uma Pátria Amada que se luta. 

Dividir o país entre "nós e eles", entre "cumpanheiros" e "aselite", entre petistas e tucanos só agrava a crise. Eles, nós, brancos, negros, pobres, ricos, peemedebistas, petistas, tucanos, democratas, pedetistas, nordestinos, sulistas - acima de cada peculiaridade cultural, partidária, geoeconômica e étnica há algo em comum: o fato de todos serem Brasileiros. É hora de unir forças, Brasileiros, contra o mal da Nação: a Corrupção! 

Pátria Amada, amanhã verás quais filhos teus não fogem à luta!


Josimar Tais

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

30 anos da Nova República no Brasil

Tancredo de Almeida Neves
(4 de março de 1910 — 21 de abril de 1985)
Há 30 anos o Brasil voltou a ser um país democrático. Após 21 anos de Ditadura Militar (1964 - 1985), no dia 15 de janeiro de 1985 o Congresso anunciava o novo presidente, um civil: Tancredo de Almeida Neves.

A euforia foi grande. A vitória da Democracia triunfou em meio aos sentimentos de esperança e alívio depois de duas décadas sob chumbo (repressão e censura).

Àquela altura, o desejo da população em relação à política era de que ocorressem mudanças. E a mudança veio na personificação de Tancredo. O movimento pelas "Diretas Já" representou um passo importante em busca do direito ao voto direto também para presidente, visto que já ocorria para outros cargos eletivos. Mas tal reivindicação foi adiada e aquelas eleições de 85 ocorreram ainda de forma indireta. 


Apesar da contrariedade entre o desejo do povo e os interesses dos militares, senadores e deputados concretizaram o sonho da reabertura à Democracia. Naquela oportunidade, o Colégio Eleitoral de fato representou a maioria dos brasileiros e, com 480 votos, Tancredo Neves derrotara Paulo Maluf (180) nas eleições presidenciais. Um civil passaria a ocupar a presidência, fato que não ocorria desde as eleições livres de 1960: “Reencontramos, depois de ilusões perdidas e pesados sacrifícios, o bom e velho caminho democrático", considerou o presidente eleito.

No discurso proferido após o resultado, Tancredo salientou: 

“Esta foi a última eleição indireta do país. Venho para realizar urgentes e corajosas mudanças políticas, sociais e econômicas indispensáveis ao bem-estar do povo. Não foi fácil chegar até aqui. Nem mesmo a antecipação da certeza da vitória, nos últimos meses, apaga as cicatrizes e os sacrifícios que marcaram a história da luta que agora se encerra”. 
  
Tancredo já era um político com vasto currículo: foi vereador da sua cidade mineira, São João del Rei;  deputado estadual, federal e senador; foi Ministro da Justiça e Negócios Exteriores do governo Vargas;  articulou a candidatura de JK; com a renúncia do presidente Jânio Quadros, houve a instauração do regime Parlamentarista e Tancredo fora nomeado o primeiro-ministro num curto período em que João Goulart era o presidente; ainda nos primeiros anos da Ditadura Militar liderou o Movimento Democrático Brasileiro (MDB); foi governador de Minas Gerais eleito pelo voto direto e participou ativamente da luta para estender as eleições diretas para presidente. Foi escolhido candidato da coligação oposicionista, a "Aliança Democrática", para concorrer à presidência. 

Analisando o currículo político de Tancredo, constata-se que sua vida pública sempre foi pautada na retidão e honestidade. Era conhecido por seu carisma e sua qualidade de conciliador. Tinha facilidade em criar acordos políticos e era articulado em seus discursos.  Um verdadeiro estadista que lutou pelo bem do Brasil, não pela força brutal da guerrilha, mas com as armas da diplomacia. 

No dia 14 de março, véspera de tomar posse, Neves foi internado às pressas, vindo a falecer aos 21 de abril de 1985 tendo como causa oficial de seu óbito diverticulite, uma infecção no intestino grosso. Para Carlos Eduardo Matos, o preço da costura política foi o descaso com a própria saúde. Tancredo sabia que estava muito doente. Ao mesmo tempo, temia que o presidente João Figueiredo não transmitisse o cargo a Sarney. Por isso, resolveu aguentar firme até a posse: "Depois façam de mim o que quiserem", dizia aos médicos. Ao ser internado na noite de 14 de março, só assinou a autorização para a cirurgia após obter a garantia oficial de que o vice estaria em seu lugar no dia seguinte, relata Matos.

Em 2012, na minha viagem à MG,
visitei o túmulo onde está enterrado Tancredo
(ao lado esquerdo, a esposa Risoleta)
(Foto do autor)

Então, como foi? O Sarney tomou posse? Correu tudo bem?”, perguntou Tancredo no dia 15 ao sair da anestesia da primeira das sete cirurgias. Sarney é empossado para decepção de grande parte das oposições políticas (ele havia sido presidente da Arena, partido que dava sustentação ao regime militar, mas ingressou no PMDB com vistas na sua candidatura na chapa de Tancredo). Sobre a posse, Matos conta que “Sarney, de fato, assumiu, ainda que alguns preferissem ver como protagonista da cerimônia o então presidente da Câmara, Ulysses Guimarães. Mas não recebeu a faixa das mãos de Figueiredo, que saiu pelos fundos do Palácio do Planalto para não ter de encarar o desafeto”. Cabe ressaltar que, mesmo não tendo tomado posse, Tancredo tem seu nome no rol de presidentes da República Federativa do Brasil.

Apesar do acaso que envolveu Tancredo, o caminho democrático estava aberto e a esperança não morreu com ele. O Brasil foi conduzido a um modelo político já vigoroso em muitos países pautado na democratização. Os brasileiros foram lentamente se adaptando ao novo cenário e aprendendo a lidar com o poder de decisão dado através do voto e outras expressões. Com isso, a eleição presidencial seguinte ocorreu no ano de 1989. Nela, disputaram no 2º turno Fernando Collor de Mello e Luiz Inácio Lula da Silva, sendo Lula o derrotado da primeira eleição com voto popular após a ditadura.

Ao longo destes 30 anos da Nova República, erros e acertos fizeram parte das escolhas, mas o simples direito à escolha é o que dá sentido à Democracia. O problema, neste caso, é que os eleitores se deparam com a candidatura de pessoas que, talvez, não estivessem preparadas para governar. Contudo, cabe destacar uma frase atribuída a Ruy Barbosa: “A pior democracia é melhor que a melhor ditadura”.

A Constituição Federal de 1988 consolidou a conquista do voto direto e secreto e ampliou outros direitos dos cidadãos brasileiros. Hoje, a realidade que se vivencia é a da liberdade para criticar e discutir as questões políticas do país. Além disso, a câmara de vereadores, os conselhos setoriais, a associação de moradores, os sindicatos e as assembleias são espaços que oportunizam a participação popular.

Movimentos sociais como o que conduziu à renúncia de Collor e as manifestações de 2013 são também exemplos de cidadania nos quais se encontram, sobremaneira, ideais por um país mais justo e desenvolvido.

Direcionando o olhar para 30 anos atrás, encontra-se o grande exemplo de Tancredo Neves, um homem reconhecido como o "mensageiro da liberdade" que deixou sua marca positiva na história brasileira. Entretanto, hoje, assim como naquela época, o desejo da população volta a ser a “mudança". O caminho democrático percorrido nos anos recentes se desvirtuou em algum momento e precisa ser endireitado. Nesse ínterim, a reforma política apresenta-se como viabilidade de reestruturação do sistema político desde o âmbito municipal ao federal. É preciso que as correntes que ligam o poder às malfeitorias dos políticos sejam rompidas para, então, experimentarmos verdadeiramente a nova política, democrática e justa, sonhada e lutada por Tancredo Neves e tantos outros brasileiros de alma verde e amarela.



“Para descansar, temos a eternidade” (Tancredo de Almeida Neves)

Professor Josimar Tais


Solar dos Neves: construção do século XIX onde residiu o Presidente da República,
Tancredo de Almeida Neves, entre 1957 e 1985. (Foto do autor)



Fontes:

MATOS, Carlos Eduardo. A eleição de Tancredo Neves e o fim da ditadura militar. Disponível em http://revistaescola.abril.com.br/historia/pratica-pedagogica/sonho-drama-presidente-423064.shtml?page=1 Acesso em 15 jan 2015.




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terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Centenário da Congregação das Irmãs Catequistas Franciscanas

As 3 pioneiras: Maria Avosani, Amábile Avosani, Liduína Venturi

2015 será um ano marcante para a cidade de Rodeio: serão completados 140 anos da imigração italiana. Intimamente ligado a este fato, o Circolo Trentino di Rodeio completará 40 anos de atividades que buscam aproximar a cidade com as suas origens trentinas e manter e divulgar a cultura legada dos colonos pioneiros. Outro acontecimento relevante e que neste post se dará destaque, é o Centenário da Congregação das Irmãs Catequistas Franciscanas, comemorado no dia 14 de janeiro.

A origem da Congregação está atrelada a uma característica bastante forte dos colonizadores, transmitida aos seus descendentes e que perpetua até hoje na cultura do povo rodeense: a religiosidade.

Ainda nos primórdios da colonização, iniciada em 1875, fazia-se necessária a atuação de professores para a formação dos filhos dos imigrantes que deveriam saber, pelo menos, ler e escrever. O empecilho é que os professores vindos com a imigração começaram a demitirem-se, não havendo substitutos. O problema logo foi solucionado: nas capelas provisórias,  desde 1880, funcionavam as escolas também provisórias e os colonos mais instruídos ensinavam as primeiras lições aos filhos dos outros colonos. A base da instrução era fundamentalmente catequese e alfabetização. As escolas, portanto, eram mantidas pelas comunidades e sob a responsabilidade do pároco local.
 
Em 1893 os moradores de São Virgílio e Santo Antônio começaram a erigir suas próprias capelas e escolas. Pouco mais tarde, em 16 de julho de 1905, instalou-se o Convento das Irmãs da Divina Providência para a instrução das crianças e assistência aos doentes. Estas possuíam uma farmácia e o Colégio "Menino Deus" ficava no prédio onde atualmente se encontra a sede do Circolo Trentino. A farmácia era ao lado, mas o seu prédio foi demolido.

Prédio do antigo Colégio Menino Deus, hoje sede do Circolo Trentino di Rodeio
 
As Irmãs da Divina Providência assumiram a Escola Paroquial Italiana cujas primeiras mestras foram: Irmã Eulógia e Irmã Clemência Beninca. Na capela de São Virgílio os primeiros mestres foram: Vimercati, senhora Ropelato, Savério Bogo e Giuseppe Sevegnani, seguidos depois pelas Irmãs Catequistas. Na Capela de Santo Antônio, os primeiros mestres foram: Giuseppe Zaniuca, Giuseppe Sevegnani e Adolfo Negherbon até a chegada das Irmãs Catequistas.

Em 1894 havia sido fundada a primeira residência dos Padres Franciscanos que servia como escola também. O primeiro Mestre-Escola da Escola Paroquial foi o Irmão leigo Frei Germano Munsick e a direção era sempre dos Franciscanos. A Igreja Matriz foi oficialmente inaugurada em 4 de junho de 1899 adotando como patrono "São Francisco de Assis”. Percebe-se a importância e a influência dos padres franciscanos na educação e na organização do povo. A Igreja era o esteio espiritual e social.

Contudo, persistia a carência de professores para o ensino escolar e catequético em Rodeio e região. Buscando solucionar o fato, Frei Polycarpo Schuen e Frei Modestino Oecktering recorreram à Pia União das Filhas de Maria e a Ordem Franciscana Secular. De lá veio a resposta: um SIM que ecoa há cem anos.

Após a reunião, três moças filhas de imigrantes se prontificaram a atender o apelo do Frei Polycarpo. Eram elas: Amábile Avosani, Maria Avosani e Luduína Venturi. Religiosamente falando, elas ouviram o chamado de Deus para atuarem como professoras e catequistas nas escolas estaduais e comunidades, deixando a família e o lar.

A partir de então, as abnegadas foram acolhidas temporariamente no Colégio “Menino Deus" das Irmãs da Divina Providência. Irmã Clemência Beninca as tomou sob seus cuidados, a pedido de Frei Polycarpo, e as preparou para a Vida Apostólica.

Amábile, depois de dois meses de preparação no Convento “Menino Deus”, partiu para Aquidaban, hoje município de Apiúna, no dia 04 de agosto de 1913, para trabalhar junto ao povo e foi morar na casa da família do Sr. Luiz Cerutti, que Frei Modestino Oecktering, autor da ideia de colocar mulheres para trabalhar como professoras nas escolas, já havia providenciado, distante dois quilômetros da escola. No ano seguinte, Amábile se hospedou na casa do Sr. Giovanni (João) Cereale. Em 1915 foi morar na casa que o povo lhe fez junto à escola. 

Maria Avosani e Liduína Venturi, em 1914, permaneceram seis meses no Convento “Menino Deus”, preparando-se com a Irmã Clemência. 

No dia 14 de janeiro de 1915, Frei Polycarpo partiu acompanhado das três moças para a localidade de São Virgílio, em Rodeio. Antes de apresentá-las à comunidade, Frei Polycarpo perguntou-lhes: "Então, minhas filhas, vocês me prometem ficar ao menos um ano?" A resposta de Maria foi: "Um ano, não, padre. Nós queremos ficar sempre!"  

Na comunidade de São Virgílio foi que então assumiram os trabalhos escolares e comunitários. Hospedaram-se na casa do Sr. Giosepe Tambosi, que Frei Polycarpo, conhecido como fundador da Congregação das Irmãs Catequistas Franciscanas, havia-lhes providenciado. A casa, como em Apiúna, também ficava a dois quilômetros da escola e elas iam dar as aulas, todos os dias, a pé e descalças. Um grupo de crianças sempre as acompanhava, curiosas para saber que histórias iriam ouvir no dia e com sede de aprender.

Tanto em São Virgílio como em Apiúna, as famílias que as acolheram em suas casas eram numerosas e elas passaram a conviver como filhas, ajudando em todos os trabalhos da casa, inclusive os da roça, para o seu sustento.

Na casa em São Virgílio, as Irmãs Maria Avosani e Liduína Venturi moraram por dois meses, até que ficassem prontos dois cômodos junto à escola.

No centro esquerdo Irmã Clemência e centro direito Irmã Ambrosina. Lado esquerdo: Frei Polycarpo. Lado direito: João Cereale. Grupo de jovens irmãs catequistas - 1921.



Na escola o serviço era intenso. Em meados de maio, elas tiveram a ajuda alegre da filha de Giosepe Tambosi, Ana Tambosi, que logo integrou o grupo dedicando-se ao serviço do Reino.

Ainda em fevereiro de 1915, mais moças entraram e outras casas foram abertas: Diamantina, Rodeio 32. No final de 1915 já eram nove Irmãs e no final de 1916 o número subiu para vinte e uma.

As jovens se reuniam de quinze em quinze dias no Convento “Menino Deus” onde buscavam formação e apoio. Passavam também finais de semana e férias.

Percebendo a necessidade de uma sede própria, o casal João Cereale e Maria Monteverdi Cereale, que hospedara Amábile em 1914 e que lhe tinha um carinho todo especial, apreciava demais o trabalho que as jovens Irmãs desenvolviam nas Capelas da Paróquia de Rodeio.

Conversando entre eles de que as jovens professoras não tinham casa própria, pensando na velhice deles e o fato de não terem filhos, tomaram uma grande decisão: vender tudo o que tinham em Apiúna, e em combinação com Frei Polycarpo Schuhen, seu amigo, compraram uma casa antiga e modesta, em Rodeio, mobiliaram-na e a cederam às Irmãs.

Para tanto, ficou combinado que eles cederiam a casa em troca de serem cuidados até a morte, pelas Irmãs, e que estas seriam donas da propriedade. 

Assim, a partir do começo de 1916, as Irmãs ganharam a sua primeira casa, local para as férias, encontros, trocas e soma de experiências e principalmente o aconchego do lar.

Começou-se a construção de uma casa maior com a ajuda do povo de Rodeio que ficou pronta em 1917. Essa casa, até1926, funcionava também como asilo para doentes e pessoas idosas, sob os cuidados carinhosos das Irmãs Catequistas.

Verdadeiramente deixaram de ser dos seus, para ser do povo. “Sejam Irmãs do povo”, repetia o fundador Frei Polycarpo Schuhen. Hoje, a Congregação busca “Tecer caminhos de itinerância e irmandade num mundo em movimento”, com a esperança de torná-lo melhor, mais justo e fraterno.

Aos poucos, iniciou-se o processo para dar à Companhia das Catequistas estatuto de Congregação no sentido canônico do termo. Em 1958 foi agregada à Primeira Ordem Franciscana e a 17 de fevereiro de 1964, Dom gregório Warmeling erigiu-a em Congregação Religiosa de Direito Diocesano. No dia 2 de fevereiro de 1998, a Santa Sé emitiu um decreto de constituição da Congregação das Irmãs Catequistas Franciscanas como Congregação Religiosa de Direito Pontifício.

Irmã Augusta Neotti, no livro Nos trilhos da história, destaca que:

"Um edifício nunca é construído por uma pessoa só. A Congregação não nasceu da noite para o dia. Havia uma necessidade e uma exigência do governo de SC: professores que dessem aula em língua portuguesa. Havia um povo imigrante que reclamava catequese para seus filhos. Houve um idealizador, o Frei Modestino Oechtering. Um pároco inteligente e ousado que soube captar a ideia e colocá-la em prática, chamado Frei Polycarpo Schuen. Nada, porém, teria acontecido se umas mulheres corajosas não tivessem escutado o chamado e dado o seu 'Sim' desafiador". (p. 82, 2013)

O chamado se fez caminho e de Rodeio a Congregação se espalhou para o mundo e está presente em 20 estados do Brasil e DF, além de estar ou ter passado em países como Argentina, Bolívia, Chile, Guatemala, República Dominicana, Paraguai, Peru, Haiti, Alemanha, Timor Leste, Angola e Moçambique.

Desde o ano 2000 existe um trabalho de parceria com pessoas leigas chamadas de "Simpatizantes do Carisma". São grupos presentes nas diferentes realidades onde se aprofundam a espiritualidade francisclariana e se participa de programações e projetos dentro dessa missão. 

 A ação missionária franciscana não para de crescer, buscando sempre alcançar os mais necessitados e excluídos, contribuindo para a construção de uma vida digna e cidadã com bases nos valores franciscanos e cristãos.

Parabéns, Irmãs Catequistas Franciscanas!

Prof. Josimar Tais



REFERÊNCIAS


BERTOLDI, Frei José. SCOTTINI, Frei Guido. Rodeio 1875 – 1975 Aspectos de sua História e de sua gente. Gráfica 43 AS Indústria e comércio – Blumenau: Rodeio. 1ª ed. 1975.

CANI, Iracema Moser. Rodeio Vale dos Trentinos, Compendio. 1.ed. Rodeio: Prefeitura Municipal de Rodeio, 1997.

DE RODEIO AO MUNDO. Jornal O Corujão, n 394, 29 de janeiro de 2014, p. 07.
 
ORIGEM. Disponível em http://www.diocesederiobranco.org.br/congregacoes/femininas/catequistas-franciscanas/ Acesso em 13 jan 2015.

NEOTTI, Augusta. Nos trilhos da história. 3 de Maio: Blumenau, p. 82. 2013.

NOSSA HISTÓRIA. Disponível em http://www.cicaf.org.br/index.php/nossa-historia  Acesso em 13 jan 2015

domingo, 7 de dezembro de 2014

21 anos da Lei Orgânica da Assistência Social - LOAS

Neste ano participei de uma capacitação para educadores sociais por meio do CRAS de Indaial, onde atuo há mais de 2 anos, e a Doutora Darlene, ministrante, afirmou que o governo Fernando Henrique Cardoso fez um "desserviço para a história da Assistência Social no Brasil". Ora, ou ela pouco conhece da história desta importante política pública - o que, sinceramente, não creio, pois é uma profissional altamente qualificada na área - ou ela teve seus motivos político-partidários para afirmar esta sandice. 
Avanços notórios na política de assistência social foram firmados no governo FHC, mas, para evitar este reconhecimento, ao aprimorá-los o governo petista rebatiza os programas, projetos e serviços para sentirem-se donos e usá-los abusivamente nas campanhas eleitorais. É uma pena que a história seja distorcida ou omitida. Porém, não se pode alterar o que nela está consumado.
Cabe dizer que as diretrizes da gestão da política de assistência social estão previstas na Constituição Federal de 1988. Portanto, é obrigação dos governos implementá-las e aprimorá-las.  
Desserviço, eu digo, é a corrupção tornada rotineira e banal por esse governo dissimulado e vigarista. Mas isso já é outra história.

21 anos da LOAS
Hoje, a Lei Orgânica da Assistência Social (Loas) completa 21 anos.
Assinada pelo presidente Itamar Franco e pelo ministro Jutahy Junior, a Loas foi implementada pelo presidente Fernando Henrique, que teve a coragem de acabar com a LBA e implantar o Sistema Descentralizado e participativo da Assistência Social.
Foi no governo do PSDB que tiramos do papel o Benefício da Prestação Continuada (BPC) para idosos e pessoas com deficiência.
Foi no governo do PSDB que implantamos, via Loas, o Programa de Erradicação do Trabalho Infantil.
Foi no governo do PSDB que descentralizamos todos os recursos para estados e municípios, através do Sistema Descentralizado da Assistência Social, que hoje o PT chama de Suas.
Foi no governo do PSDB que criamos os Núcleos de Apoio às Famílias, que que o PT passou a chamar de Cras.
Foi no governo do PSDB que criamos o Programa Sentinela, para combater o abuso e a exploração sexual de crianças e adolescentes, que hoje o PT chama de Creas.
Foi no governo do PSDB que criamos o Agente Jovem de Desenvolvimento Social, que hoje o PT chama de ProJovem.
Foi no governo do PSDB que criamos o Cadastro Único dos Programas Federais.
O PT muda os nomes dos programas e tenta, todos os dias, mudar a história, mas sabemos muito bem tudo que representou a Loas, nestes 21 anos.
Agora, estamos lutando para que o Bolsa Família seja um programa da Loas, para que nunca mais na historia do Brasil usem os programas sociais para causar medo na população.
Sao 21 anos de Loas e 21 anos de conquistas sociais que não pertencem nem a governos e nem a partidos, mas ao povo brasileiro. - Aécio Neves

domingo, 23 de novembro de 2014

Bicentenário da morte de Aleijadinho

Em outubro de 2012 tive a oportunidade de conhecer algumas das mais importantes e tradicionais cidades mineiras: Belo Horizonte, São João del Rei, Ouro Preto, Tiradentes, Mariana, Congonhas do Campo, Sabará... Viajei pela Estrada Real por onde o ouro era transportado até o Rio de Janeiro; nas cidades centenárias, andei por ruelas e ladeiras cercadas por misteriosos, silenciosos e coloridos casarios; adentrei nas mais belas, suntuosas e deslumbrantes igrejas com seus interiores dourados e repletas de detalhes artísticos e religiosos; provei da mais saborosa culinária do Brasil; visitei o túmulo do grande político Tancredo Neves; contemplei a beleza natural das espaçosas grutas de formação calcária; senti, ao mesmo tempo, o calor na pele e o frio na alma ao penetrar uma antiga mina de ouro; posei para foto ao lado de Tiradentes; conheci o sertão narrado por Guimarães Rosa e visitei sua casa. Mais do que viajar para Minas Gerais, viajei no tempo. Pude entrar nas típicas fotografias dos livros de História e examinar de perto as marcas da colonização. Ao recordar esses momentos tão especiais é impossível não mencionar o velho refrão: "Oh Minas Gerais, quem te conhece não esquece jamais..."

Nesses últimos dias, as lembranças de Minas foram aguçadas pela memória dos 200 anos da morte de Aleijadinho, em 18 de novembro. 

Provável retrato póstumo de Aleijadinho
realizado por  Euclásio Ventura, no séc. XIX
Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, nasceu em Vila Rica, atual Ouro Preto, aos 29 de agosto de 1730.  É considerado o mais importante artista brasileiro do período colonial. Filho natural do arquiteto e mestre-de-obras português Manuel Francisco Lisboa e de uma de suas escravas, recebe do pai as primeiras noções de desenho, arquitetura e escultura.

Na minha passagem pela cidade de Congonhas do Campo, conheci o maior acervo histórico do Mestre do Barroco brasileiro. No Adro do Santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinhos encontram-se os 12 profetas bíblicos esculpidos em pedra-sabão: Amós, Abdias, Jonas, Baruc, Isaías, Daniel, Jeremias, Oséias, Ezequiel, Joel, Habacuc e Naum. A obra levou 5 anos para ser concluída (1800 a 1805). 

Além dos profetas, outra referência da arte de Aleijadinho, são as 66 estátuas em tamanho natural, esculpidas em cedro, dos últimos Passos da Paixão (A última ceia; Jesus no Horto das Oliveiras; A prisão do Cristo; A flagelação e coroação de espinhos; Jesus carregando a Cruz às costas; A crucificação). Este trabalho iniciou-se em 1796, findando-se em 1799. O que mais impressiona nessas esculturas em madeira são as expressões faciais dos personagens que nos fazem compreender as suas dores e sentimentos. A pintura das estátuas foi encarregada a  Manuel da Costa Ataíde, grande pintor mineiro do século XVIII. 

Cabe ressaltar que as obras de Aleijadinho não se limitam a estas e não são encontradas apenas em Congonhas. Muitas estão expostas no Museu do Aleijadinho, em Ouro Preto. 

Além de escultor, Aleijadinho era entalhador e arquiteto e suas expressões artísticas podem ser apreciadas também nas cidades de Tiradentes, São João del Rei, Sabará e outras cidades mineiras.  

Estátuas e frontispícios, imagens de santos e anjos, fontes, pias e púlpitos, crucifixos e brasões elencam as inúmeras produções artísticas do "Michelangelo tropical", como o classificou o biógrafo francês Germain Bazin. 

A obra de Aleijadinho transcende o Barroco e contem traços únicos que mesclam a sutileza dos detalhes com a extravagância da beleza. A fé do artista é desnudada através das suas criações e o seu talento se revela em cada olhar das suas esculturas. 

Aleijadinho deixou um patrimônio que merece ser preservado e prestigiado e um nome que é digno de estar escrito na História.

Prof. Josimar Tais

casa onde viveu Aleijadinho - Sabará, MG

Santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinhos

Santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinhos e as
Capelas dos Passos da Paixão de Cristo




Igreja de São Francisco de Assis, Ouro Preto, MG
O projeto arquitetônico é de Aleijadinho e a fachada foi esculpida por ele
(fotos do autor)

Algumas curiosidades: 

As marcas das obras de Aleijadinho são: olhos mongóis, maçãs do rosto saliente, queixo bipartido e cabelos em caracóis. http://artesbarroca.blogspot.com.br/


Os 200 anos de Aleijadinho, o mestre do barroco http://falacultura.com/200-anos-de-aleijadinho/

- Aleijadinho foi invenção do governo Vargas.
- Antônio Francisco Lisboa, segundo consta, foi progressivamente afetado pela doença e se afastou da sociedade, relacionando-se apenas com dois escravos e ajudantes. Nos dois últimos anos de vida se viu inteiramente cego e impossibilitado de trabalhar. Morreu em algum dia de 1814 sobre um estrado em casa de sua nora, na mesma Vila Rica onde nascera. http://www.escritoriodearte.com/artista/aleijadinho/

Fontes:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Santu%C3%A1rio_do_Bom_Jesus_de_Matosinhos
http://www.e-biografias.net/aleijadinho/
http://enciclopedia.itaucultural.org.br/termo343/profetas-do-aleijadinho

domingo, 26 de outubro de 2014

Dilma não me representa

Atribuo a vitória da Dilma mais à competência do seu marketing político carregado de ofensas e ataques que visaram a desconstrução da imagem dos opositores do que à sua competência política em si. Não faltam certezas dessa incompetência. Não faltaram evidências da face corruptora e pretensiosa desse partido oportunista e salafrário; uma face tão bem mascarada que consegue, agora, com todas as artimanhas da máquina de campanha se sustentar no governo por mais um mandato.

Não serei hipócrita de não reconhecer os avanços razoáveis em diversas áreas sociais promovidos pelo governo, mas esta é apenas uma faceta que faz parte da jogada populista de sustentação do poder; além do mais, há de se convir que, o mínimo que um governante deve fazer é investir no país que governa, ainda mais se levarmos em conta a elevadíssima taxa tributária que pagamos. Cabe reconhecer também que, se houveram avanços nos últimos 20 anos, é porque a economia foi controlada a partir da inserção do Plano Real - inegável!

Inegável, também, são os erros que foram cometidos: no governo Dilma a taxa de juros voltou a subir; a inflação superou a meta e já assusta a população que tem sentido no bolso os seus efeitos; os "estarrecedores" casos de corrupção da Petrobras; a intensa desaceleração do PIB que neste ano se prevê um crescimento abaixo de 0,3% (só superando o governo de Floriano Peixoto e de Fernando Collor); gastos exorbitantes em estádios para a "copa das copas"; a perda de confiança dos empresários que evitam investimentos; a intensificação do processo de desindustrialização; o aumento do desmatamento da Amazônia; as obras atrasadas e promessas da campanha de 2010 não entregues ou nem inicializadas; aparelhamento do Estado, entre tantos outros. 

Uma experiência negativa do governo tucano e que hoje pagamos novamente pelo erro é a Reeleição. A alternância de poder é essencial para um país democrático e ela teria sido muito mais propositiva no contexto atual.

Sim, bem sei que a vitória da Dilma foi democrática, mas isso não quer dizer que foi espontânea. Assim seria se a campanha tivesse sido limpa. Mas não, o que deu corpo à propaganda petista foi a imposição do medo, a apropriação de práticas clientelistas, as inverdades não provadas que acabaram criando um eleitor que, já deficitário de criticidade, se viu coagido e deteriorou a real possibilidade de mudanças e da alternância.

Teremos a continuidade de um governo desacreditado por cerca da metade dos brasileiros. Um país dividido e um governo alicerçado num partido afundado no esgoto da corrupção e que tem como líderes o que há de pior na política nacional. 

Em suma, Dilma não me representa; não representa minha cidade Rodeio, não representa meu Estado SC; não representa a região Sul. De toda sorte, respeito imensamente a escolha dos meus concidadãos. Continuarei exercendo minha cidadania e dando minha contribuição diária para a construção de uma sociedade mais justa e ética. Acima de tudo, não perdi a esperança de que o Brasil se tornará um país melhor, mesmo que, talvez, só daqui a 4 anos. 

Josimar Tais
26/10/2014