quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Origem e significado da Bandeira do Brasil

19 de novembro é o Dia da Bandeira, o principal símbolo da nossa Nação. Mas qual é a origem da nossa bandeira e o significado das suas cores e símbolos? 

Representação da Bandeira Nacional
Fonte: Guia Dicas


Como se sabe, a Proclamação da República ocorreu no dia 15 de novembro de 1889. Foi adotada, provisoriamente, uma bandeira muito semelhante a dos Estados Unidos da América com as suas conhecidas listras horizontais brancas e vermelhas e as estrelas brancas dentro de um quadrado azul representando os estados. Na versão abrasileirada, no entanto, as listras eram verdes e amarelas. Essa influência do país norte-americano em relação a bandeira não resistiu por mais de 4 dias, já o nome oficial da nova república da América, a República dos Estados Unidos do Brasil, durou um certo tempo e só foi alterado em 1969, em pleno Regime Militar, para República Federativa do Brasil. Nome oficial em vigor até os dias de hoje.

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Bandeira do Brasil Imperial
Fonte: Mundo Estranho

A nova bandeira republicana, adotada no dia 19 de novembro de 1889 (daí a origem do Dia da Bandeira), rejeitou a influência estadunidense e adotou os traços da Bandeira Imperial do Brasil, revelando ainda um certo apego ao antigo regime político e a continuidade de determinadas práticas. O verde e o amarelo persistiram predominando, o azul também se mantinha presente, mas agora dispostas numa nova configuração. Mas afinal, por que a insistência com estas cores? 

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Bandeira provisória da República dos Estados Unidos do Brasil
Fonte: Mundo Estranho

Desde criancinhas somos ensinados que o verde da bandeira representa as belas matas do Brasil, que o amarelo simboliza o ouro e as riquezas e o azul o maravilhoso céu que nos cobre. Pois então, essa história é um pouquinho diferente... Essa maneira de assim interpretar as cores da Bandeira Nacional foi uma adaptação republicana. Mas, em resumo, o amarelo representava, na realidade, a Casa de Habsburgo (Dona Leopoldina) e o verde representava a Casa de Bragança (Dom Pedro I). As estrelas representavam as províncias. 

Além das cores presentes na Bandeira do Brasil, existem também outros símbolos com seus respectivos significados. A inscrição “Ordem e Progresso” é escrita sempre em verde, e é uma abreviação de um lema positivista, do autor francês Auguste Comte. A inscrição completa seria: “O Amor por princípio e a Ordem por base; o Progresso por fim.” As 27 estrelas da Bandeira representam cada Estado federativo do Brasil, e o Distrito Federal. Elas foram distribuídas na Bandeira de acordo com o posicionamento em que elas estavam na noite de 15 de novembro de 1889. (O significado das cores da Bandeira do Brasil, 2015). 

No vídeo abaixo, o consultor legislativo Joanisval Gonçalves fala da origem e do significado de cada detalhe da Bandeira do Brasil. A reportagem é de Ricardo Westin para o Senado Federal. 

             Bandeira do Brasil é tema do “Arquivo S” do Jornal do Senado



Fontes:

O significado das cores da Bandeira do Brasil. Disponível em http://situado.net/o-significado-das-cores-da-bandeira-do-brasil/. Acessado em 19 nov. 2015. 

Saiba mais 
Bandeiras históricas do Brasil (do período colonial ao fim do Império) http://www.monarquia.org.br/-/obrasilimperial/Bandeirashistoricas.html


Significado das estrelas da bandeira (localize o seu Estado) http://www.brasilescola.com/brasil/significado-das-estrelas.htm 

Significado das cores da Bandeira do Brasil: http://guiadicas.net/significado-das-cores-da-bandeira-do-brasil/ 

sábado, 14 de novembro de 2015

O Terror da sexta-feira 13 em Paris

Uma noite de terror assombrou a sexta-feira, 13 de novembro. Mais uma vez, neste ano de 2015, Paris foi alvo de ataques terroristas. Nesta ocasião, colocando à prova as medidas de segurança do país após o massacre na sede do jornal Charlie Hebdo ocorrido em janeiro. 

Na Guerra contra o Terror, iniciada logo em seguida ao 11 de setembro de 2001, os inimigos fazem mais vítimas e ferem os valores essenciais da humanidade. E justo onde os valores da civilização moderna nasceram e deram forma ao tripé da Revolução Francesa: Liberdade, Igualdade e Fraternidade. 

O radicalismo do Estado Islâmico, infelizmente, banha de sangue espaços de cultura e lazer da capital francesa, bastante frequentados por jovens e turistas. 129 pessoas foram mortas e mais de 300 ficaram feridas. 

Dentre os alvos dos terroristas, destacam-se uma casa de shows (Bataclan), onde houve incisivos tiroteios e ataques suicidas que causaram a maior chacina. Só neste local mais de 70 foram mortos. Outro ponto atacado foi o estádio de futebol no qual acontecia a partida entre França X Alemanha. Segundo uma nota publicada pelo próprio Estado Islâmico:

Oito irmãos carregando coletes suicidas e armas automáticas alvejaram áreas no coração da capital francesa que foram especificadamente escolhidas antes: o Stade de France durante uma partida contra a Alemanha na qual o imbecil [sic] François Hollande estaria presente; o Bataclan, onde centenas de idólatras estariam juntos numa festa da perversidade; além de outros alvos no 10º,  no 11º e no 18º arrondissements (divisões administrativas da cidade). [...] A França e todos aqueles que seguem seu caminho devem saber que permanecem o principal alvo do Estado Islâmico.

O que também impressiona e entristece em meio a tudo isso é que, conforme declaração do presidente francês, François Hollande, este ato de guerra que foi preparado, organizado e planejado no exterior, contou com cumplicidade de dentro da França. Cabe enfatizar que muitos jovens franceses, persuadidos pela ideologia islâmica nos tempos recentes, acabam partindo para treinamentos in loco no Oriente Médio e depois retornam à sua pátria. Em vista disso, Hollande prometeu uma resposta "implacável" aos atos de terror e decretou três dias de luto nacional.

No comunicado emitido pelo Estado Islâmico, houve a confirmação de que a localização dos ataques foi cuidadosamente estudada e contou com "combatentes" vestindo coletes suicidas e levando armas automáticas.
A nota considerou Paris "a capital da abominação e da perversão" e alertou: "este não é nada mais do que o começo de uma tempestade e uma advertência para aqueles que queiram meditar e tirar suas conclusões".
Diante disso, o mundo ocidental democrático fica em alerta por ser o alvo favorito desse tipo de ataque, como se tem comprovado nos últimos anos. A Guerra ao Terror se torna ainda mais fugaz neste início do século XXI e parece que quanto mais se fala em tolerância, respeito às diferenças e às liberdades individuais, em direitos humanos e na paz mundial, mais distante isso fica da realidade global. 
Mas o combate ao extremismo e aos atos terroristas tem que ser contundente. O medo não deve impedir as forças que se movem em prol da humanidade e nem sufocar a esperança em um mundo melhor onde prevaleçam a Liberdade, a Igualdade, a Fraternidade e, assim, a tão desejada Paz. 
Sinalizando luto, luzes da Torre Eiffel são apagadas
Fonte: Jornal El Nacional 


Referências
http://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/2015/11/14/hollande-culpa-estado-islamico-por-atentados-e-promete-resposta-implacavel.htm 
http://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/2015/11/14/estado-islamico-assume-autoria-de-atentados-na-franca.htm
Saiba mais:
Terror e covardia em Paris - http://epoca.globo.com/tempo/noticia/2015/11/terror-e-covardia-em-paris.html 
"Foi um banho de sangue", relata sobrevivente do Bataclan - http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/deutschewelle/2015/11/13/foi-um-banho-de-sangue-relata-sobrevivente-do-bataclan.htm 
Entenda o que aconteceu no ataque ao jornal Charlie Hebdo - http://www1.folha.uol.com.br/folhinha/2015/01/1576091-entenda-o-que-aconteceu-no-ataque-ao-jornal-charlie-hebdo-em-paris.shtml
Linha do tempo da Guerra ao Terror - http://noticias.uol.com.br/album/110906_linhadotempo_album.htm 
Esvaziada, Paris está e choque e sob marcas de bala - http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2015/11/1706473-esvaziada-paris-esta-em-choque-e-sob-marcas-de-bala.shtml


quarta-feira, 11 de novembro de 2015

A Base Nacional Comum e o currículo de História

BNCC
Fonte: página do MEC 
Em busca de se alcançar um currículo comum a todas as regiões e escolas do Brasil, desde a creche ao ensino médio, seja no âmbito público ou privado, o Governo Federal, através do Ministério da Educação, lançou o documento preliminar da Base Nacional Comum. Para este fim, está-se promovendo a participação de toda a sociedade brasileira.  

A Base deverá ser composta por temas e elementos principais a serem ensinados e discutidos na Educação Básica dentro das áreas de Linguagens, Matemática, Ciências da Natureza e Ciências Humanas de maneira homogênea em todo o país. 

No que tange à História, algumas críticas surgiram como reação à eliminação ou desprezo de temas importantes da trajetória Ocidental que deu forma à sociedade atual. No documento apresentado até o momento, há um excesso de culturalismo e uma escassez de criticidade historiográfica, como se poderá notar no artigo abaixo:

Proposta do MEC para ensino de história mata a temporalidade
DEMÉTRIO MAGNOLI
ELAINE SENISE BARBOSA 

08/11/2015

RESUMO Este texto critica a visão de história da Base Nacional Comum Curricular proposta pelo Ministério da Educação. Ao abandonar a temporalidade em prol de certa noção de cultura, a BNC bane a ideia de história em construção e apaga dos livros didáticos as páginas consagradas à formação das modernas sociedades ocidentais.
*
O ensino de história deve se basear "em ensinamento crítico, mas sem descambar para ideologia". A recomendação apareceu no Facebook do já então ex-ministro da Educação Renato Janine Ribeiro, como uma crítica explícita à Base Nacional Comum Curricular (BNC) de história, divulgada quando ele ainda chefiava a pasta.
Por uma dessas extraordinárias coincidências, Janine pronunciou-se horas depois da publicação de artigo de nossa autoria sobre o mesmo assunto ("História sem tempo", "O Globo", 8/10). E, casualmente, ele repetiu um argumento nuclear daquele artigo. "Não havia, na proposta, uma história do mundo", escreveu, cutucando a ferida de um programa que ignorava "quase por completo o que não fosse Brasil e África".
Janine tem razão quando enquadra o debate na moldura dos direitos dos estudantes e enfatiza o tema, tão esquecido, da pluralidade. "É direito de todo jovem saber o trajeto histórico do mundo. Precisa saber sobre a Renascença, as revoluções, muita coisa. Mas não há uma interpretação única de nenhum desses fenômenos. E é esta diversidade que a educação democrática e de qualidade deve garantir." Aloizio Mercadante, novo titular do ministério, parece igualmente convencido de que há algo de fundamentalmente errado num documento com "muita África e história indígena e pouca história ocidental".
As críticas de Janine e Mercadante têm peso político suficiente para provocar algum tipo de reforma na BNC, mas apenas roçam a superfície do problema: atrás da abolição da "história ocidental" encontra-se a supressão do próprio sentido temporal que define a disciplina.
Marc Bloch disse que "a história é a ciência dos homens no tempo". Na direção oposta, os autores (anônimos e, assim, "especialistas") do documento do MEC investiram numa sociologia do multiculturalismo que esvazia a temporalidade e, com ela, a gramática da historiografia. De fato, se aplicada, a proposta oficial significará o cancelamento do ensino de história. A narrativa histórica canônica estrutura-se sobre um esquema temporal clássico: Antiguidade, Idade Média, Idade Moderna, Idade Contemporânea. De acordo com a BNC, alunos do 6º ano do ensino fundamental, com 11 ou 12 anos de idade, devem aprender a "problematizar" o "modelo quadripartite francês". Dali em diante, até o fim do ensino médio, o "modelo" nunca mais aparece.
Junto com ele, desintegra-se o ensino da Grécia clássica, do medievo das catedrais, do comércio e das cidades e, ainda, das rupturas filosóficas, culturais e religiosas que anunciaram a modernidade.
No lugar disso, segundo o documento do MEC, o ensino médio é chamado a se concentrar no estudo dos "mundos ameríndios, africanos e afro-brasileiros" (1º ano), dos "mundos americanos" (2º ano) e dos "mundos europeus e asiáticos" (3º ano). Assim, expulsa da escola, a temporalidade é substituída por supostos atores coletivos, construídos a partir de uma tosca noção de cultura.
TEMPORALIDADE
A história entrou na escola pelas mãos do Estado-Nação europeu, no século 19. Inexiste novidade na crítica ao paradigma temporal clássico, impregnado de positivismo, evolucionismo e eurocentrismo. Contudo superá-lo não implica suprimir a gramática da temporalidade.
O programa (mal) camuflado da BNC não é incorporar a África, a Ásia e a América pré-colombiana ao ensino de história, mas recortar dos livros didáticos as páginas consagradas à formação das modernas sociedades ocidentais, erguidas sobre o princípio da igualdade dos indivíduos perante a lei.
Numa primeira versão da proposta, informa Janine, os autores orientavam o estudo de revoltas coloniais com a participação de escravos ou índios, mas "deixavam de lado a Inconfidência Mineira". Seria um equívoco concluir daí que a exclusão decorria, principalmente, da ausência de escravos ou índios no movimento dos inconfidentes. O alvo da censura situa-se mais abaixo: na presença das ideias iluministas que conectam Tiradentes às revoluções Americana e Francesa.
Há método no caos da BNC. Sem a ágora grega, praça de mercado e praça pública, os estudantes ignorarão as origens do individualismo e da democracia –e a relação que existe entre ambos. Sem a Idade Média europeia, jamais entenderão a importância das religiões monoteístas na formação de sociedades que, pela primeira vez, englobaram grupos geográfica e culturalmente diversos por meio de valores éticos universalistas. Sem o Antigo Regime, não serão apresentados à filosofia das Luzes, base do contrato político da cidadania e fonte da ideia de que as pessoas são donas de suas escolhas e seus destinos. Sem a contestação socialista ao liberalismo, que emergiu na Europa novecentista, não compreenderão a trajetória de afirmação dos direitos sociais e trabalhistas.
O vácuo dessas múltiplas ausências será preenchido pelo ensino de histórias paralelas de povos separados pela intransponível muralha da "cultura".
A "história ocidental" mencionada por Mercadante converteu-se, num certo ponto, em história universal, pois a expansão dos Estados europeus –um percurso balizado pelas navegações, pela Revolução Industrial e pelo imperialismo– entrelaçou o mundo inteiro. O paradigma temporal clássico refletia a idealização desse processo. Uma educação democrática tem o dever de narrá-lo na sua inteireza, evidenciando suas luzes e suas sombras.
A herança ocidental abrange tanto a liberdade quanto a opressão: o habeas corpus e o tráfico escravista, a soberania popular e a tirania, a independência nacional e o colonialismo, a igualdade política e o racismo, os direitos humanos e o totalitarismo, a vacinação e a morte radioativa. A educação escolar tem o desafio de investigar tais complexidades e contradições. Mas, à abordagem dos educadores, a BNC contrapõe o método típico dos doutrinadores, fornecendo uma narrativa sobre mocinhos e bandidos que infantiliza professores e estudantes.
Quando Bloch define a história pela dimensão temporal, ele quer enfatizar seu caráter cronológico: o sentido de "processo", isto é, as relações e interações que promovem constantes mutações sociais.
A "história em construção" é precisamente aquilo que os formuladores da BNC pretendem dissolver, de modo a fabricar sujeitos a-históricos: grupos étnicos ou raciais identificados por supostas essências culturais e, portanto, impermeáveis à mudança. Eles não querem, como alegam, conferir visibilidade à história da África, da Ásia ou da América pré-colombiana, mas fabricar a "história dos africanos", a "história dos ameríndios" e a "história dos asiáticos", numa cartolina que incluiria, ainda, a "história dos europeus".
FETICHIZAÇÃO
Seria um equívoco interpretar a BNC como uma revolta contra o "ocidentalismo". De fato, não há nada mais "ocidental" que a fetichização da cultura. O essencialismo cultural deita raízes na "ciência das raças", elaborada à sombra do imperialismo, que falava do "fardo do homem branco" e produzia quadros descritivos sobre os "negros" (africanos), os "amarelos" (asiáticos) e os "vermelhos" (ameríndios). Atualmente, sob o mesmo registro operativo, difunde-se a tese neoconservadora do "choque de civilizações". Os autores convocados pelo MEC usam a linguagem e os conceitos do "choque de civilizações", fabricando uma cópia invertida da célebre narrativa sobre a "missão civilizatória" dos europeus.
A escritura da história segue caminhos diversos. A historiografia liberal enfatiza a política e o indivíduo. Os historiadores marxistas colocam os holofotes sobre as classes sociais e a economia. Mais recentemente, a nova história alargou e fragmentou o campo de investigação, abordando as mentalidades, ou seja, as representações sociais. A BNC, contudo, rejeita em bloco todo esse variado repertório, pois recusa a temporalidade. Nesse passo, acende uma fogueira destinada a consumir as obras consagradas e a melhor produção historiográfica acadêmica.
Para que serve o ensino de história? Na sua origem, a história escolar servia para inscrever a pátria no mármore da eternidade. A antiga visão utilitária reaparece, sob roupagem atualizada, na BNC.
Reagindo à crítica tardia de Janine, a professora Márcia Elisa Ramos, da Universidade Estadual de Londrina, defendeu a proposta do MEC recorrendo a uma alegação orwelliana de aparência banal: "O ensino de história deve não apenas estudar as diferenças mas compreender para respeitar. O currículo apenas contempla os objetivos do ensino de história, que são respeito à diversidade, pluralidades étnico-raciais, religiosa, de gênero etc.".
Não se ensina biologia para que os jovens aprendam regras de saúde e higiene. Não se ensina química para evitar a ingestão de substâncias tóxicas pelos alunos. Não se ensina física para alertar sobre o perigo de saltar da janela do edifício. Não se ensina português para treinar a habilidade de redigir solicitações de emprego. Não se ensina matemática para calcular os rendimentos da poupança. Tudo isso, bem como a aversão a preconceitos étnicos, raciais, religiosos ou de gênero, são subprodutos úteis da educação escolar. Mas o conhecimento serve a si mesmo: é um passaporte que garante acesso ao diálogo do mundo.
Diferentes indivíduos leem o mundo de formas diversas. Escola não é igreja: não é lugar de pregação, de tutela ou de retificação de mentes "desviantes".
A história, como as outras disciplinas, serve para acender a chama da curiosidade intelectual, ensinar os fundamentos do pensamento científico, habilitar os jovens para investigar, interpretar e refletir. Nossos doutrinadores de plantão, sábios "especialistas" que não declinam seus nomes, jamais concordarão com isso.
DEMÉTRIO MAGNOLI, 57, sociólogo e doutor em geografia humana, é colunista da Folha.
ELAINE SENISE BARBOSA, 50, é professora de história, autora de "História das Guerras" (Contexto).
SAIBA MAIS acessando o site oficial da BNCC

terça-feira, 10 de novembro de 2015

10 de novembro de 1937 - O golpe do Estado Novo

Após o Governo Provisório que se instalou com a Revolução de 1930 e se estendeu até 1934, a Assembleia Constituinte elegeu (voto indireto) Vargas para um mandato de 4 anos. Este mandato, de acordo com a nova Constituição de 1934, chegaria ao fim em 1938. 

Em 37, a questão da sucessão presidencial e a escolha dos candidatos passou ao primeiro plano nas discussões políticas. Tudo transcorria com aparente normalidade, mas o próprio presidente preparava um golpe para impedir a sucessão e continuar no poder. Para isso, contava com o apoio do chefe do Estado-Maior do Exército (general Góis Monteiro) e também do Ministro da Guerra (Eurico Gaspar Dutra), além do chefe de Polícia do Distrito Federal (Filinto Muller). (COUTO; CARMO, 1994).

Vargas sabia que na maioria dos Estados os governadores e comandantes do Exército estariam dispostos a apoiá-lo. Mas seria preciso criar um clima propício, para justificar o golpe. Em 30 de setembro foi armado o pretexto. O historiador Mario Schmidt afirma que “os jornais anunciaram que o Estado-Maior das Forças Armadas descobrira um plano de insurreição comunista, de autoria de um certo Cohen (Plano Cohen)” (SCHMIDT, 2005, p. 146). Na verdade, tratava-se de uma farsa para conseguir o apoio de uma parte da população. Os discursos persuasivos e a utilização da mídia garantiriam a aceitação popular. Quanto à elite não haveria problemas, até porque os comunistas não eram bem quistos pelos industriais, fazendeiros, banqueiros, governantes e outros setores da elite capitalista que fundamentava seus objetivos na acumulação de bens e de lucros, ou seja, condições combatidas pelos comunistas.

Conforme Schmidt (2005, p. 146) no dia 10 de novembro de 1937, deputados e senadores que se dirigiam ao Congresso foram barrados pelos soldados. O Congresso fora fechado. À noite, em cadeia de rádio, o presidente dirigiu-se à nação, anunciando o início do Estado Novo e a vigência de uma nova Constituição. Iniciava-se, naquele instante, uma experiência de ditadura civil no Brasil. 

A Constituição de 1937 era influenciada pelo fascismo e dava poderes totais ao presidente. Ele podia fazer decretos, leis e nomear interventores para o governo dos Estados. Todos os partidos políticos foram extintos e os adversários do regime, principalmente os comunistas, sofreram violenta perseguição, prisão, tortura. “O golpe de 1937 acaba com os partidos políticos, mas abre a possibilidade para que estes se tornem associações de caráter cultural.” (COUTO; CARMO, 1994). 

A política de Vargas, como se pode notar, era a de não se apoiar em nenhum partido político, pois isso lhe permitia governar sem ter que assumir compromissos com nenhum setor da sociedade. Mas para ter um amplo apoio popular era necessário conquistar o povo, ou seria controlar o povo? 

Ao mesmo passo que concedia regalias aos trabalhadores desde a sua chegada ao poder visando, assim, a sua permanência, Vargas contentava a classe empresária. O sindicalismo corporativo e a criação de direitos trabalhistas são alguns dos exemplos da postura varguista diante destas classes. Porém, no Estado Novo a face autoritária do presidente se torna mais visível e, em 1939, determina a existência de um único sindicato por categoria profissional acompanhada da criação do imposto sindical, através do qual é descontado anualmente um dia de trabalho da folha de pagamento (DEL PRIORE e VENANCIO, 2013, p. 255-256). 

E a intervenção trabalhista não para por aí. Conforme Del Priore e Venancio, a Consolidação das Leis Trabalhistas, firmadas em 1943, determina que o trabalhador dispensado deveria ser indenizado, a mulher operária teria direito a serviços de amparo à maternidade, assim como se restringe a exploração do trabalho infantil, além da criação de uma justiça do trabalho, com o intuito de intermediar o conflito entre patrões e empregados (op. cit.). Com tudo isso, não haveria o porque de a massa trabalhadora não estar satisfeita com seu presidente, assim como para os capitalistas que viam seus negócios industriais serem incentivados pela intervenção estatal e tendo afastada a ameaça comunista.  

Manipulação em outros setores também foram contundentes. No caso da Educação, houve "a ampliação de vagas e a unificação dos conteúdos das disciplinas no ensino secundário e no universitário. Isso para não mencionar a criação do ensino profissional, consubstanciado em instituições como Senai, Senac e Sesc" (DEL PRIORE e VENANCIO, 2013, p. 258). Nas escolas, vale lembrar, a imagem sorridente e generosa de Vargas era estampada em cartilhas para serem apreciadas pelas crianças. A adoração à imagem do líder da nação era uma característica própria do nazifascismo e que se fez presente durante a ditadura varguista. 

E por falar em aspectos nazifascistas, não se pode deixar de citar a criação do Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP). "Voltado para a propaganda política através dos novos meios de comunicação, como o rádio e o cinema, o DIP foi responsável pela organização de rituais totalitários de culto à personalidade do ditador. Essa instituição também submete a cultura popular à censura" (op. cit.). 

Apesar de todos os esforços, Getúlio não conseguiu contentar a todos os segmentos da sociedade. Contudo, a ditadura instalada em 1937, curiosamente, tinha data marcada para acabar. Segundo a Constituição outorgada, previa-se para 1943 a realização de um plebiscito em que o regime seria posto à prova nas urnas, conforme relatam Del Priore e Venancio. Mas a decretação do estado de guerra, em 1942, transferiu a consulta para o período posterior ao conflito. O Brasil lutou na Segunda Guerra Mundial que se prosseguiu até o ano de 1945. 

Com a participação do país no conflito mundial o governo de Getúlio ficou abalado, pois o Brasil participou da guerra ao lado dos Aliados combatendo os regimes ditatoriais da Europa (Nazi-Fascismo). Afinal, como pode o governo de um país enviar seus soldados para porem fim ao regime totalitário em outro continente sendo que o próprio país também vivia uma ditadura?  Foi por isso que, terminando o conflito, a opinião pública brasileira rejeitava a ditadura do Estado Novo. 


Conforme Schmidt, surgiram, ainda durante o governo de Vargas, novos partidos políticos, inclusive comunista, e muitos presos políticos foram libertados. A censura à imprensa também foi rompida. Iniciava-se um período democrático e a liberdade de expressão e política passaram a ser pontos de destaque nessa transição. Os principais partidos, por exemplo, eram o PSD (Partido Social-Democrático), o PTB (Partido Trabalhista Brasileiro) e a UDN (União Democrática Nacional). A UDN era radicalmente antigetulista. As eleições para a nova Constituinte (grupo que iria trabalhar na elaboração da nova Constituição do país em substituição à de 1937, do Estado Novo) e para a presidência haviam sido marcadas para dezembro de 1945.

No segundo semestre daquele ano, quando os partidos começavam a lançar suas propagandas políticas, um grupo de adeptos de Vargas organizou um movimento para adiar as eleições presidenciais. O objetivo, muito provavelmente, era ganhar tempo para manter Vargas na presidência. Para tal, o grupo propunha que em dezembro apenas se escolhessem os membros da Assembleia Constituinte e que a democratização do país se fizesse sob a liderança de Getúlio. Era mais uma tentativa de Vargas permanecer no poder.

O movimento, conhecido como Queremismo (Queremos Getúlio), contou com a adesão das camadas populares: milhares de pessoas participavam dos comícios. Até mesmo o Partido Comunista apoiou o movimento. Porém, a União Democrática Nacional conseguiu depor Vargas com o auxílio das Forças Armadas. Até a data das eleições, o país foi governado pelo presidente do Supremo Tribunal de Justiça, José Linhares. Porém, mesmo afastado, Getúlio interferiu no resultado das eleições. A declaração pública de seu apoio ao general Dutra colaborou para a vitória desse candidato. Vargas, que nesse período estava no Rio Grande do Sul, não se afastou inteiramente da política, elegendo-se senador pelo seu Estado (op. cit).

Embora desgastado politicamente, isso não lhe impediu de mais tarde retornar ao poder "nos braços do povo". 



REFERÊNCIAS

COUTO, Eliane; CARMO, Sonia Irene do. História Passado Presente. 2 ed. São Paulo: Atual, 1994.
DEL PRIORE. Mary. VENANCIO, Renato. Uma breve história do Brasil. São Paulo: Planeta, 2010. 
SCHMIDT, Mario. Nova História Crítica. 2 ed. São Paulo: Nova Geração, 2005.

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Divulgação: Acontece em Blumenau exposição da 1ª e 2ª Guerras Mundiais

Cartaz da Exposição
Está acontecendo no Shopping Park Europeu, em Blumenau-SC, a Exposição 1ª e 2ª Guerras Mundiais. A mostra é promovida pelo Museum da Guerra, que conta com de cerca de 600 objetos que revelam as condições do dia a dia das tropas, entre eles armas, uniformes, utensílios para alimentação e saúde e até documentos pessoais.

O Museum da Guerra de Joinville é considerado um dos maiores museus do Sul do país. Seu acervo veio diretamente da Alemanha e é constituído por itens de grande valor histórico, todos originais, alguns itens doados e outros estão cedidos. 

Blumenau é a primeira cidade a receber o formato itinerante do museu. A ideia é que a exposição também passe por Florianópolis e Lages, com o objetivo de dar mais visibilidade ao acervo. A peça que mais chama a atenção é o “Rádio do Povo 1933” utilizado pelos nazistas para que todos ouvissem os discursos de Adolf Hitler. Documentos secretos do exército brasileiro e a máquina de escrever utilizada por Hitler e sua secretária também fazem parte da exposição.

Vale lembrar que 2014 marcou o Centenário de início da Primeira Guerra Mundial e que neste ano de 2015 se memorizam os 70 anos do fim da Segunda Grande Guerra. A exposição ficará aberta até o dia 3 de novembro no Park Europeu. 

Fonte: 
http://www.jornaldeblumenau.com.br/?modulo=noticias&caderno=cidade&noticia=11792-exposicao-celebra-70-anos-do-fim-da-2-guerra-mundial

http://www.cruzeirodovale.com.br/geral/mostra-sobre-a-guerra-mundial-conta-com-maquina-de-escrever-de-hitler/ 












(Fotos do autor)

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Dia do Professor - Uma reflexão à prática pedagógica

Professor, do âmago da profissão irradia a luz da ciência para que, com esta luz, se possa ultrapassar as trevas da ignorância, do desconhecimento, do não sabido, do não experimentado... Esta profissão faz despertar do ócio para a busca do sonho, mas antes disso instiga a sonhar. E com a luz do ensino é possível construir e transformar: construir uma sociedade melhor a partir da transformação dos sonhos em realidades. Resumindo, talvez com certo ufanismo, ser professor é semear sonhos.

Para tanto, é preciso que haja um sério engajamento coletivo: dos alunos, com o interesse e comprometimento ao estudo; dos pais, com o incansável incentivo aos seus filhos; dos professores, com o insaciável desejo de aprender mais para ensinar melhor; da sociedade, com prestígio e zelo pela escola; e do Estado, o imprescindível investimento e necessário reconhecimento à escola pública e aos seus profissionais.

Paulo Freire, um notável educador brasileiro que configura entre os grandes pensadores da Educação no mundo, norteia a prática pedagógica na sua obra “Pedagogia da Autonomia”. Apesar de não concordar com a ideologia freireana na íntegra, ele traz na referida obra provocações e reflexões importantes. Vale a pena sentir-se desafiado a fim de poder se inspirar e aprimorar cada vez mais a prática educativa.


Sumariamente, Freire defende que ensinar exige rigorosidade metódica, exige pesquisa, exige respeito aos saberes dos educandos; ensinar exige criticidade, estética e ética, exige a corporificação das palavras pelo exemplo; ensinar exige risco, aceitação do novo e rejeição a qualquer forma de discriminação e reflexão crítica sobre a prática, exige o reconhecimento e a assunção da identidade cultural, consciência do inacabamento, reconhecimento do ser condicionado; ensinar exige respeito à autonomia do ser do educando, exige bom-senso, humildade, tolerância e luta dos direitos dos educadores; ensinar exige alegria e esperança, convicção de que a mudança é possível; ensinar exige curiosidade, segurança, competência profissional, generosidade e comprometimento. Ensinar exige compreender que a educação é uma forma de intervenção no mundo, exige liberdade e autoridade, tomada consciente de decisões, saber escutar e dialogar; ensinar exige querer bem aos educandos. 

Sim, ensinar requer que cumpramos muitas exigências para que se construa uma Educação de qualidade e de respeito; para que, através da semeadura dos sonhos, brote como fruto um futuro melhor. Parabéns a todos os meus colegas professores que, apesar dos percalços enfrentados na nossa violentada Pátria Educadora, se empenham esmeradamente por esta Educação de valor sonhada por Paulo Freire, por nós e tantos outros mestres. 


Professor Josimar

Mensagem aos professores.
Fonte: paroquiadetijucas.com.br

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Origem dos nomes dos países da América do Sul

No dia 12 de outubro é comum as pessoas comemorarem o Dia das Crianças. Para os católicos, é também o Dia de Nossa Senhora Aparecida, considerada a Padroeira do Brasil. Mas, para a História, este dia marca a chegada dos europeus em terras americanas. O fato aconteceu aos 12 dias de outubro de 1492, quando Cristóvão Colombo e sua esquadra aportaram no Novo Mundo: é o Dia do "Descobrimento da América".
Mapa: América do Sul
Fonte: Infoescola 

Em entrevista ao portal UOL Educação, o historiador Carlos Guilherme Mota* conta que "Colombo deixou o porto de Palos, na Andaluzia, Espanha, em 3 de agosto de 1492. Comandava uma nau, a Santa Maria, e duas caravelas, Pinta e Nina. Graças aos ventos alísios, navegou com boa velocidade e logo alcançou a ilha Grande Canária. Ele escondeu de sua tripulação o número de léguas navegadas para não assustar os marinheiros, mas ainda assim enfrentou um motim. Afinal, em 12 de outubro encontrou a ilha de Guanaani, atual Watlig, no arquipélago das Bahamas. Batizou-a de San Salvador. Em 29 de outubro chegou à costa de Cuba e, a 15 de dezembro, ao Haiti, que chamou de Hispaniola. Em 16 de janeiro do ano seguinte, começou o regresso, mas Colombo deixou em Hispaniola cerca de 40 homens". 

Mas o que vamos tratar neste post, como indica o título, é da origem dos nomes dos países da América do Sul. E aí surge a primeira curiosidade: por que a América não se chama Colômbia, em homenagem ao "descobridor"?

Mota explica que Américo Vespúcio publicou, em 1503, o livro "Mundo Novo", em que defendia a ideia de que as terras encontradas faziam parte de um continente desconhecido e não da Ásia (Índias Ocidentais, como denominou-a Colombo). Por este fato, em homenagem ao navegador Américo, italiano assim como Colombo, que provou sua tese por meio de estudos e viagens, adotou-se o nome de América para o novo continente. 
Ok, está explicado. Mas Colombo não foi esquecido, não. E os colombianos sabem muito bem disso. 
A Revista Mundo Estranho trouxe há algum tempo uma publicação sobre a origem do nome dos 12 países sul americanos. É interessante notar que muitos nomes provêm das características geográficas, dos recursos naturais ou de algum personagem importante da história do local. Veja só que curioso: 
HOMENAGEM AO DESCOBRIDOR
Colômbia significa algo como "Terra de Colombo", numa homenagem óbvia ao navegador italiano Cristóvão Colombo (1451-1506), que, como todo mundo sabe, descobriu o continente americano em 1492.


DIVISÃO IGUALITÁRIA
O Equador foi batizado com o mesmo nome da linha imaginária que atravessa seu território e corta o nosso planeta ao meio. A palavra deriva do latim aequus, ou "igual", numa referência à divisão da Terra em duas partes iguais, os hemisférios Norte e Sul.


POLÊMICA INCA
A origem do nome Peru é controversa, com duas interpretações conflitantes. A primeira afirma que se trata de derivação do nome Birú, um importante chefe inca. Para a segunda, a mesma palavra significa também "terra de riqueza e esperança".


HERÓI LIBERTADOR
O general e estadista Simon Bolívar (1783-1830) tornou-se um dos principais heróis sul-americanos ao lutar pela independência de vários países da região, inclusive da própria Bolívia, batizada em homenagem a seu libertador.


O FIM DA TERRA
Antes mesmo da colonização, o Chile já era chamado assim pelos índios aimarás, que habitavam o norte do país. Na língua deles, a palavra chilli quer dizer "onde acaba a terra", referência à posição geográfica do território: o extremo oeste do continente.


PEQUENA VENEZA
A Venezuela deve seu nome a Américo Vespúcio (1454-1512), explorador italiano naturalizado espanhol. Ao visitar a região, ele encontrou indígenas que construíam suas casas em palafitas sobre as águas do lago Maracaibo, no noroeste do país. Isso o fez chamar o lugar de "Pequena Veneza": Venezuela.


PRATA FARTA
A Argentina impressionou seus descobridores pela grande quantidade de riquezas minerais encontradas em seu solo, principalmente prata. Daí vem seu nome, inspirado em argentum: prata, em latim.


ADEUS INDÍGENA
O Suriname tomou seu nome dos índios surinen, habitantes originais da região. Uma lembrança triste, uma vez que, quando os primeiros exploradores ali chegaram, a tribo já havia praticamente desaparecido, expulsa e dizimada por outros grupos indígenas que passaram a ocupar a área.


TERRA DAS ÁGUAS
A Guiana e sua vizinha Guiana Francesa - situadas entre os rios Orinoco, Amazonas e Negro, além de serem banhadas pelo Oceano Atlântico - eram conhecidas pelos nativos como guyana, termo que, em seu idioma, significa "terra de muitas águas". A Guiana Francesa obviamente leva esse adjetivo por ser possessão da França.


ÁRVORE EM BRASA
Essa aqui é moleza, hein? Produto de grande importância comercial no século XVI, a árvore de pau-brasil batizou nosso país, onde os colonizadores portugueses encontraram florestas fartas dessa madeira. "Brasil" quer dizer algo como "em brasa", referência à forte coloração avermelhada do tronco, utilizado para fazer corante.


O RIO É REI
O Uruguai acabou ganhando o mesmo nome que os índios tupis e guaranis haviam dado ao grande rio que atravessa seu território. No idioma deles, a palavra significa "rio dos caracóis".


CAMPEÕES AQUÁTICOS
Quando o Paraguai foi descoberto pelos espanhóis, a região era habitada por índios chamados payaguaes. Excelentes nadadores e hábeis navegadores, eles viviam às margens do rio que dava nome à tribo. O termo pode ser traduzido como "rabo de mar", "rio ornado" ou "rio que dá origem ao mar" - mas também identifica um tipo de papagaio.

Fontes


* Carlos Guilherme Mota é professor titular em História pela Universidade de São Paulo e tem pós-doutorado na Universidade de Stanford, nos Estados Unidos. Foi professor visitante das Universidades do Texas, Londres e Stanford.

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Cruzadas: Matar ou morrer em nome da fé

“[...] Que se dirijam, portanto ao combate contra os infiéis [...]” (papa Urbano II apud. ANDRADE, 2010, p. 32). Foi com essas palavras conclamadas no Concílio de Clermont pelo papa Urbano II que teve início, em 27 de novembro de 1095, a primeira das oito Cruzadas.

A essas alturas, o Islamismo já estava sendo bastante divulgado pelo Oriente Médio e começara a ameaçar a soberania Católica. Além do mais, os árabes controlavam o comércio e detinham a posse de vários territórios. Um território que estava sob o controle dos turcos desde o século XI e que despertava a cobiça da Igreja Católica pelo seu significado religioso, era Jerusalém. “A cidade de Jerusalém era dominada pelos árabes muçulmanos, que por muito tempo não impediram a visita dos peregrinos cristãos. Mas, a partir do século XI, os europeus passaram a querer mais do que apenas visitar a Terra Santa: agora, desejavam dominar Jerusalém” (SCHMIDT, 2007, p. 52). Dessa forma, surge a chamada “Guerra Santa”, que pretendia, inclusive, converter os judeus e muçulmanos ao cristianismo. As expedições rumo ao Oriente, que objetivavam conquistar terras e dominar Jerusalém, foram denominadas “Cruzadas”. Vale ressaltar também que o motivo não era apenas religioso, mas econômico e político.

Conforme Schmidt, participaram das Cruzadas reis, nobres, servos, camponeses, clérigos e milhares de homens pobres que já não tinham mais oportunidade de trabalhar nos feudos, ou seja, várias camadas da sociedade foram mobilizadas. A coragem de muitos destes envolvidos provinha da crença de que, lutando em nome de Jesus, teriam como recompensa a vida eterna no paraíso. Mario Schmidt destaca ainda que “os soldados com cruzes pintadas em suas bandeiras alcançaram Jerusalém. Em 1099, depois de violentos combates, tomaram a cidade”. De acordo com ele, do século XI (1095) ao século XIII (1270), as vitórias foram de curta duração, pois os árabes acabaram triunfando. No entanto, essas cruzadas despertaram um ativo comércio entre os europeus e árabes (op. cit).



Ganância, enganação e mortes: assim se resumem as Cruzadas. A ganância se justifica pela vontade do clero em tomar posse de terras com o intuito de construir um império religioso, convertendo a todo custo aqueles que possuíam uma crença diferente; a enganação é percebida pela recompensa ilusória que os combatentes receberiam, aqui na terra como no céu; as mortes foram, absolutamente, o resultado desse conjunto.


REFERÊNCIAS

ANDRADE, James. As Espadas da Fé. Leituras da História. São Paulo, n 31, p. 32, jun. 2010. 

SCHIMDT, Mario. Nova História Crítica 6ª série. 2 ed. São Paulo: Nova Geração, 2007



SAIBA MAIS:
O que foram as Cruzadas? http://mundoestranho.abril.com.br/materia/o-que-foram-as-cruzadas 

FILME
Cruzada - http://www.adorocinema.com/filmes/filme-54205/